Sobrevivente desistiu de mergulho minutos antes de tragédia
Uma estudante da Universidade de Gênova foi a única sobrevivente de um grupo de mergulhadores que sofreu uma tragédia nas Maldivas, resultando na morte de cinco italianos. Segundo o jornal italiano La Repubblica, a jovem, que não foi identificada, estava preparada para mergulhar com os colegas pesquisadores na quinta-feira (14), mas decidiu permanecer a bordo do iate Duke of York enquanto o grupo descia ao fundo do mar no Atol de Vaavu.
Não ficou claro o motivo da mudança de ideia da estudante. De acordo com o governo italiano, os mergulhadores tentavam explorar cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade, perto da ilha de Alimatha. Autoridades locais classificaram o ocorrido como o pior acidente de mergulho já registrado nas Maldivas.
A sobrevivente foi descrita como a "única sobrevivente direta daquele dia" e uma "testemunha fundamental para a reconstrução dos momentos finais antes do acidente". Embora houvesse cerca de 20 pessoas a bordo quando o iate partiu em direção ao Atol de Vaavu, ela era a única que deveria ter mergulhado.
O grupo de mergulhadores era formado por pesquisadores experientes, apesar do mergulho arriscado em uma caverna conhecida por sua forte correnteza. As vítimas foram Monica Montefalcone, professora de biologia marinha na Universidade de Gênova, e sua filha Giorgia Sommacal, de 20 anos; a pesquisadora Muriel Oddenino; o cientista marinho Federico Gualtieri; e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti.
O porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a caverna é tão profunda que nem mesmo mergulhadores com os melhores equipamentos se aventuram a chegar perto. Ele disse que haverá uma investigação separada sobre como os mergulhadores ultrapassaram a profundidade permitida.
A guarda costeira e unidades militares das Maldivas lançaram uma operação de busca e resgate de "alto risco" com mergulhadores especializados, barcos e apoio aéreo. As condições climáticas adversas, com ventos fortes e um alerta amarelo oficial, dificultaram as operações. Um comunicado da Força de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) informou que um corpo foi encontrado dentro de uma caverna a cerca de 60 metros de profundidade, e acredita-se que os outros quatro mergulhadores estejam no mesmo local.
Uma das hipóteses mais aceitas para a tragédia é a toxicidade do oxigênio, fenômeno que ocorre quando a mistura do cilindro é inadequada, tornando o oxigênio tóxico em certas profundidades. Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica, afirmou que a 50 metros de profundidade existem vários riscos. Ele explicou que uma mistura respiratória inadequada pode causar uma crise hiperóxica, com aumento da pressão parcial de oxigênio nos tecidos e no plasma sanguíneo, levando a problemas neurológicos.
O pneumologista Claudio Micheletto, diretor do Hospital Universitário de Verona, disse ao veículo italiano Adnkronos que é provável que algo tenha dado errado com os tanques. Ele descreveu a morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, como uma das mais dramáticas e horríveis que podem ocorrer durante um mergulho.
Mergulhador morre após ataque de tubarão na Austrália
Em outro incidente recente, um mergulhador de 38 anos morreu após um ataque de tubarão em uma ilha turística na Austrália. O caso ocorreu em uma região conhecida pela prática de mergulho e atraiu a atenção das autoridades locais, que investigam as circunstâncias do ataque.
